28 de abril de 2008

SINAL VERMELHO DE OCUPADO!

Amigos, por mais uns dias, não posso falar.
Por razões indies, naturalmente.
Volto assim que sair do coma cinematográfico, a 4 de maio.

22 de abril de 2008

NÃO, NÃO É NORMAL

O actual Secretário de Estado dos Desportos (creio que a designação andará por estes lados) declarou ter herdado uma dívida de 2 milhões de euros, do governo Santana Lopes, destinada a subsidiar as corridas de fórmula 1 de um piloto português. Pareceu-lhe "normal" honrar este compromisso, além das consequências jurídicas que teria não o fazer. 400.000 contos, em moeda antiga, para a gasolina do menino.
Se houvesse alguma dúvida sobre a imbecilidade irresponsável de Santana Lopes, bastaria isto. Infelizmente não há. Num país civilizado, a quantidade de actos danosos praticados por este político já o teriam metido na cadeia. Cá, "é normal". A tal ponto que já está de novo, no parlamento (e até "pondera" voltar a candidar-se à liderança - por assim dizer - do seu partido).
Mas voltando aos 2 milhões de euros, quando penso na relutância em se apoiar uma bolsa literária de mil euros, com a desculpa que bem podem os escritores ir trabalhar que quando voltarem para casas ainda lhes sobram muitas horas para a brincadeira, e que permitiria fazer um bocadinho de luz neste mundo confuso, não sei que diga... Ou que não quando não apoia atletas de modalidades menos televisivas e que insistem em ganhar medalhas de ouro. Que gente é esta, que propõe o luxo e nega a necessidade? Que gente é esta que "honra compromissos" com a futilidade, mas não os assume com quem aumenta a qualidade deste país.
Eu disse "pais"? Pois disse. À falta de melhor expressão.

20 de abril de 2008

INDIE

Começa na próxima semana.
É sempre espantoso o que uma equipa mínima consegue fazer. Está cada vez maior nas apostas e reconhecimento nacional e internacional. Do meu ponto de vista, é um case study nacional, porque conseguiu em 4 anos (5 edições, com apoios mínimos institucionais (lembre-se que em todos os concursos, anteriores a 2007,de apoio à elaboração de festivais de cinema, recebeu muito menos do que, por exemplo, Vila do Conde (curtas) ou Fantasporto (cinema fantástico))tornar-se no festival com mais público do país. E os festivais não se fazem para os amigos, fazem-se para as pessoas.
É verdade que estar em Lisboa, onde os jornalistas quase todos moram, gostando a a maioria muito pouco de se mexer, ajuda. Mas está longe de ser a razão principal. Qualidade e trabalho são o segredo deste sucesso. Nacional e internacional. Este ano, por exemplo, as extensões previstas chegam a 8, em diversas cidades europeias e americanas.
Nem foi preciso gastar o dinheiro dos apoios em publicidade paga na Variety, ou em stands de luxo, em Cannes. Foi só preciso trabalhar... e perceber de cinema.

Mais informação aqui.


ps: claro que o melhor do festival é o IndieJúnior. Mas não contem o segredo à imprensa ;)

18 de abril de 2008

QUASE UMA DA MANHÃ

Tenho uma encomenda de texto em atraso. É tarde na noite. Para quem teve pouco tempo para dormir, a madrugada passada.
Tenho um texto para escrever.
E só uma frase: "No meio de uma sala a cheirar a cera, há uma gaiola dourada com uma mulher dentro"...

16 de abril de 2008

CONRAD

Por razões misteriosas, o livro O CORAÇÃO DA TREVAS, do Joseph Conrad, escapou-me todos estes anos. Andou ali pela prateleira, em edição de saldo, e nunca o tinha lido. Conhecia outras obras do autor e a devoção que tanta gente tem por ele. Mas não tinha calhado.
Peguei-lhe agora. E, embora, a tradução me pareça fraquita, basta uma descrição destas, para um escritor/leitor se pôr de joelhos:

"Uma rua estreita e deserta que mergulhava em profunda sombra, edifícios altos, inúmeras janelas com persianas, um silêncio de morte, erva a crescer entre as pedras da calçada, à esquerda e à direita imponentes entradas de carros, portas imensas de dois batentes, sinistramente abertas."

15 de abril de 2008

A DESCOBERTA DA PÓLVORA QUANDO ELA NOS ESTOURA NA CARA

Um pateta apresentava na tv, uma notícia de telejornal que começava assim: "Há AGORA um novo fenómeno nas escolas chamado "bulling", a violência de alunos contra outros alunos". Na verdade, a notícia deveria ser: "Há agora um novo tipo de jornalistas chamados "ignorants-no-brain-at-all".

Só alguém muito estúpido, ou muito distraído, pode pensar que o bulling é um fenómeno novo. Como se diz nos livros fraquinhos "desde tempos imemoriais" que rapazes torturam rapazes e raparigas outras raparigas, pelas mais diversas razões. Por serem gordos, ou feios, ou filhos de pais divorciados, ou pobres, ou efeminados, ou masculinizados(as), ou apenas por serem mais fracos e não se saberem ou poderem defender. As torturas podem ser físicas (como um rapaz transmontano que um dia me escreveu) ou psicológicas, ou um misto das duas. Desde sempre que pudemos encontrar miúdos encolhidos em recantos escuros da escola, à espera que toque para entrar, ou que todos já estejam vestidos no balneário, ou a correr para casa, antes que seja tarde de mais.
Sempre assim foi e, provavelmente, sempre assim será. Porque a infância e a adolescência não são apenas aquela coisa perfumada e inocente em que gostamos de acreditar, mas sim, a porta de entrada da crueldade ou da bondade humanas. Apenas com menos filtros. Como o tabaco em bruto.
Eu próprio fui vítima de bulling entre o 8º(2 vezes) e o 9º anos. Passei de melhor aluno da turma, a pior, do mais alegre ao mais calado. Fui perseguido e torturado psicologicamente por vários grupos de indivíduos, "inocentes-a-precisar-de-recuperação", como o ministério da Educação agora os definiria - que aproveitavam todas as oportunidades para me fazer sentir que não passava de uma nódoa insignificante no passeio. Estou hoje, aqui, vivo, apenas porque calhou. Porque a vida deu uma súbita guinada para o lado feliz, quando eu já não pensava senão em acabar comigo. Conto isto, sem particular nota de dramatismo, porque conheci tantas e tantas pessoas que passaram pelo mesmo. Era normal, nesse tempo. Algumas delas não se aguentaram e, da terra de onde venho, o suicídio não é uma palavra estranha.
Não, senhor jornalista, o "bulling" não é novo. Só a palavra. Antigamente chamava-se era "crueldade".

12 de abril de 2008




Estive a pensar o que dizer sobre o dia de hoje. Encontrei esta imagem.
O tipo descalço fora do quadro sou eu.

8 de abril de 2008

ENCORAJAR

Leio no rodapé de um jornal televisivo que o ministro da Cultura iniciou a sua estratégia de encorajamento às artes. Parece-me bem. Tenho defendido desde há muito a necessidade de se descer do palácio de Queluz aos ateliers dos artistas, já para não dizer subir aos andares elevados das zonas pobres da cidade, onde a maioria habita.
O novo ministro começou por dirigir uma palavra de apreço aos galeristas "por fazerem a ligação entre a Cultura e as Finanças". Bom, esperemos que depois de despachada a agenda pessoal sobrem incentivos vocais (ao menos) para quem DE FACTO cria.

7 de abril de 2008

FIZ ANOS, OUTRA VEZ

Raios partam a ocorrência. Enfim, adiante. Em última análise, sempre sobra o bolo e o vinho que os amigos trazem para o jantar. Sobra, igualmente, a pilha de pratos para lavar, para os que têm a mania que a comida só existe sobre pratos de louça, não reconhecendo a existência ao plástico.
À medida que o tempo passa, as nossas características tornam-se mais claras. O que somos, o que fomos, e o que queremos ser amanhã, que é o dia antes de depois-de-amanhã. Uns sonham tornar-se ricos e conhecidos. Outros esperam apenas reconhecerem-se ao espelho. Olharem o reflexo e verem a pessoa íntegra e solidária em que todos os dias trabalham para existir ou manter-se.A coincidência entre o que idealizam e a realidade. Com menos peso ou cabelos brancos, ainda assim.
Fiz anos, outra vez. Raios os partam. Tantas vezes 26, já chateia. Mas ao mesmo tempo, tenho vontade de rir, porque a brincar, a brincar ainda flutuo à superficie.

3 de abril de 2008


UMA DOSE DE PERSISTÊNCIA, APARECER NO LUGAR CERTO E UM CARÍSSIMO LOOK TRENDY....

São os ingredientes para triunfar nos meios culturais portugueses. E perceber que a notícia do desaparecimento de uma iniciativa ou da perda de um lucrativíssimo lugar de chefia, são sempre altamente exageradas.
A Experimenta Design acaba de assinar um protocolo com a Câmara de Lisboa e com o Ministério da Cultura que assegura ao evento 2, 7 milhões de euros para as 2,5 edições (a próxima é uma parceria com Amsterdão).
E ainda há quem diga que pagar cabeleireiros caros e fashion designers, e aparecer em todas as reuniões públicas entre o Poder e a cultura, não resulta.
Viagens em executiva, mundo fora: here I go!

PS: a minha frase favorita no site é "Não será demais voltar a dizer que a ExperimentaDesign – Bienal de Lisboa é:"